A origem das Bruxas na primeira revolução feminina da Humanidade.

Você vai conhecer a emocionante história sobre a origem das Bruxas no período Neolítico e entender um pouco de como os poderes do Sagrado Feminino e sua ligação mágica com a Deusa Terra (natureza) até hoje fazem algumas pessoas se sentirem ameaçadas por tamanha liberdade e poder.

Este texto foi inspirado na palestra do médico psiquiatra junguiano, Bernardo de Gregório.

POR
Lou Amaral Judice

Durante milhares de anos, desde de que se tem notícias na história da humanidade, a sociedade valorizava muito o poder e a conexão que a mulher tem com a natureza. Vimos no artigo que fala sobre as primeiras Eras, começando pela Era Glacial, que o homem sequer sabia que era seu esperma que fecundava a mulher.

Depois, em civilizações importantes como a do Egito Antigo, vimos diversas deusas mantendo sociedades matriarcais que veneravam o Sagrado Feminino. Assim, a história da primeira revolução feminina na história da humanidade, não foi o bastante para diminuir o poder das mulheres.

A história que vamos contar agora, revela muitas coisas preciosas para nós que infelizmente crescemos lendo os livros que só contam o que querem. 

 

A Bruxa foi a primeira mulher a dizer "não"!

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Bernardo de Gregório (médico psiquiatra junguiano) nos conta o que é hoje conhecido como 
“a primeira revolução feminina" da humanidade. O momento em que a mulher do período Neolítico reagiu à ordem natural de ter relações sexuais com um homem nos rituais de fecundidade da Primavera e disse “não, eu não quero ir”, gerou todo um desdobramento que deu origem à história das mulheres ligadas à força da natureza, comumente chamadas de bruxas. Mais tarde, na Idade Média, estas mesmas mulheres cuja história tem origem na busca pelo equilíbrio de sua própria natureza, é condenada à fogueira por uma Igreja que detinha o poder de matar quem era herege.

O período Neolítico vivia uma sociedade matriarcal onde tudo deveria ser natural (funcionar com a modulação da natureza). As mulheres desta época, como comumente se vê, tinham ciclos de fertilidade juntas e como estes ciclos serviam ao propósito de sempre engravidarem, os mesmos se processavam a cada 12 meses. Nos 9 primeiros, a mulher estava grávida e nos 3 finais, amamentando. Após este ciclo, ela entrava de novo em fertilidade como todas as demais do clã.

Nesta data que coincidia com a Primavera, estação onde brotavam as plantações, havia os rituais de fecundidade quando todas engravidavam de novo.  O que acontece é que em dado momento, a mulher que se recusa a participar por entender que não era natural prosseguir nestes ciclos, gera uma "revolução". Em latim, "revolução ou revolutione" significa ato ou efeito de revolver.

Mas por não fecundar, 15 dias depois, esta mulher menstrua e a imagem de uma mulher sangrando foi logo associada à doença e maldição. Em sua ignorância, as pessoas do clã entenderam que a Deusa Terra amaldiçoou esta mulher. Para que não contaminasse os demais, ela é expulsa para a floresta. Isolada, nas mais severas condições, ela estaria sujeita à própria sorte e talvez morresse.

 
A vida na Floresta e o medo da TPM

Na floresta, esta mulher teve que aprender a se alimentar sem morrer envenenada.  Pesquisou sobre os segredos das ervas e raízes no processo de cura e combateu seus males. Para sua companhia, domesticou os gatos e para alimentar-se, aprendeu a caçar pequenos animais. Prefere andar na floresta de noite para não ser abordada por alguém hostil, na luz do dia. Conhece as estações do ano e as fases da lua. Gosta da Lua Cheia que traz luz para as sombrias matas. Esta é a Bruxa… “a mulher que disse não!”

Como deixa de engravidar e passa a menstruar a cada 28 dias, tem períodos de TPM. Quando as pessoas do clã procuravam ela para se tratar de doenças,  rezavam para não se depararem com numa fase onde ela estava furiosa.
Diz a lenda que sabiam que um simples deslize no dia errado, podia ser
a diferença entre viver ou morrer (ts).

  A mulher isolada na Floresta, que faz magias que todos desconhecem, impõe um respeito enorme. Causar medo podia ser uma forma de proteção então,  a primeira revolução onde a mulher age naturalmente por seu impulso, confere um poder temido por todos. Sua liberdade a conecta com a Mãe Terra e ela não vive mais
apenas para cuidar de seus filhos e receber ordens de rituais criados contra a sua natureza.