Breve resumo de como a Bíblia foi escrita.

Como um livro escrito por tantas pessoas, há tanto tempo, passado de boca em boca não está sujeito a interpretações? Claro que está. Por isso a Bíblia é tão importante.

 

É um relato da Humanidade,

repleto de ensinamentos sagrados e atropelos humanos.

 

Com base num artigo atualizado em 2016 pelo site da Revista Super Interessante, fizemos uma breve retrospectiva sobre o modo como a Bíblia foi escrita. O texto mostra como a história pode sofrer "ajustes" de acordo com cada autor e intérprete.

 

A Bíblia começou a ser escrita por alguma pessoa comum, no Oriente Médio, no século 10 a.C. ou seja, dez séculos ou mil anos antes de Cristo nascer.  

E claro, como já se sabe, não foi Deus ou Jesus que a escreveram mas sim, inspiraram seus textos que estavam sujeitos a interpretação

do homem e ao seu trabalho de transcrição.

A história mostra fortes influência de poderes e outros interesses instituídos - na maioria - por homens poderosos,

sobre os textos sagrados.

1250 a.C. 

A Bíblia começa com Antigo Testamento que é baseado nos textos da Torá, Livro Sagrado Judaico, de antes da Bíblia.

Atribui-se a inspiração destes livros bíblicos a Moisés mas constata-se que ele nada escreveu.

1000 a.C.

No antigo reino de Israel, possivelmente uma mulher de nome Javista que vivia próxima ao Rei Davi descreve com precisão

personagens femininos da Bíblia como Eva e Sara.

"A maioria dos evangelhos escritos nos séculos 1 e 2 desapareceu. Naquela época, um “livro” era um amontoado de papiros avulsos,

enrolados em forma de pergaminho, podendo ser facilmente extraviados e perdidos.

Mas alguns evangelhos foram copiados e recopiados à mão, por membros da Igreja. Até que, por volta do século 4, tomaram o formato de códice – um conjunto de folhas de couro encadernadas, ancestral do livro moderno." Afirma José Francisco Botelho, Revista Super Interessante. 

Século 4 a.C. (Esdras a 400 anos antes do nascimento de Cristo)

Esdras é o possível autor dos cinco primeiros livros da Bíblia (Pentateuco). Sua interpretação pessoal na qualidade

de "reformista religioso" pode ter influenciado textos tais como:

“Derrubareis todos os altares dos povos que ides expropriar, queimareis as casas, e mudareis os nomes desses lugares”.

Paulo de Tarso | Nos anos de Cristo vivo

Viajando e fundando igrejas pelo Oriente Médio, o romano Paulo de Tarso também conhecido como Saulo, escrevia cartas para essas igrejas, contando a incrível aventura de Jesus - que ele não conheceu - e que foi crucificado e ressuscitou. Foi o precursor do Novo Testamento. 

Antes de virar este importante apóstolo, perseguia Jesus e os cristãos em nome do Império Romano. Mais tarde, nos futuros ajustes sofridos pela Bíblia, atribui-se a Paulo textos machistas que teólogos acreditam que ele jamais diria.

Maria Madalena | Nos anos de Cristo vivo

Livro Apócrifo (ocultado) encontrado e desenterrado em 1886 no Egito,  é assinado por uma “Maria” que acredita-se ser Maria Madalena.

Se estes escritos tivessem sido publicados, seriam de imenso valor no Novo Testamento porque Maria Madalena seria revelada como uma apóstola tão importante quanto Pedro e os demais. Em 1967, o Vaticano desfez o equívoco de que Maria Madalena

seria uma prostituta, limpando sua reputação. 

João | Nos anos de Cristo vivo

Escreveu parte importante do Novo Testamento incluindo o Apocalipse e foi claro em suas teorias de que Jesus não seria

apenas um messias  mas a própria encarnação de Deus já que lhe atribuía poderes sobrenaturais.

Constantino | (325 anos depois do nascimento de Cristo)

Quando Roma invadiu o Oriente, fundou Constantinopla onde hoje é a Turquia. Lá o Imperador Constantino tentava segurar o crescimento

do Império Romano que se espalhava por todo mundo. Sem conseguir conter a força do Cristianismo, Constantino viu

nesta religião um modo de se fortalecer também.

A pressão de Constantino levou os mais influentes bispos cristãos a se reunirem no Concílio de Nicéia, em 325,

para "colocar ordem na casa de Deus".

 

Acredita-se que, neste momento, a Igreja Católica começa a criar ou omitir "verdades" sobre fatos

que favorecessem seu poder. Há uma "modelagem" dos fatos como a escolha dos livros que seriam divulgados e os textos que seriam considerados “Apócrifos” (ocultados) como o importantíssimo Livro de Maria. 

OBSERVE, AGORA, COMO DEVEMOS SER CAUTELOSOS DIANTE DO PODER DO HOMEM 

SOBRE AS COISAS SAGRADAS

Convertendo-se à religião que o Império Romano perseguiu por séculos, culminando na crucificação de Cristo,  o então imperador Constantino,

muda-se para Roma e se transforma em uma das maiores forças do Cristianismo.

Jerônimo | (406 anos depois do nascimento de Cristo)

Para isso, o que foi feito: Constantino manda o padre e teólogo Eusebius Hyeronimus que hoje conhecemos como São Jerônimo para Jerusalém traduzir o Antigo e o Novo Testamentos do hebraico e do grego para o Latim.

 

Daí surge a Bíblia chamada Vulgata (em latim).

Imaginem isso:

O Império Romano, que foi o carrasco de Cristo, acaba virando o primeiro grande tradutor da Bíblia.

Imagina do que serias capazes em termos de "escolhas" do que publicar e como.

Para se ter uma idéia, São Jerônimo cometeu um erro e trocou uma única palavra quando descreveu a face de Moiséis

atravessando o Mar Vermelho.

 

Usou a palavra hebraica "karan", que na verdade significa “raio de luz” e ele traduziu como "chifres".

É assim que Moisés é representado em estátuas como a famosa de Michelangelo. 

SUGESTÃO DE LEITURA E FILME

Em Nome da Rosa (de Umberto Eco)

 

Papa Gregório | (591 anos depois do nascimento de Cristo)

Esta é uma das provas de que temos que ter cautela, ao acreditar nas coisas, ao pé da letra.

Ao que parece, Maria Madalena não foi uma prostituta e sim uma importante apóstola. Além de ter seus escritos "censurados" junto com diversos outros, em 591, num simples sermão, o Papa Gregório associa a imagem de Maria Madalena a outra mulher, que aparece nas Escrituras como "pecadora" e...

...o mundo acredita.  

Somente em 1967, o Vaticano desfez o equívoco, limpando a reputação de Maria Madalena.

Gutemberg | Ano 1455 

Até aqui, a Bíblia era escrita à mão por monges copistas (copiavam) que viviam em clausura reproduzindo o trabalho e não raro mudavam seu conteúdo como aconteceu no século XV quando monges espanhóis trocaram o termo “babilônios” por “infiéis” no Antigo Testamento.

Uma artimanha política em represália aos muçulmanos que disputavam a Península Ibérica.

Em 1455, foi impressa a primeira Bíblia num sistema onde se montava letra por letra em matrizes de ferro.

Foi impressa em Latim, com 1.282 páginas, encadernada em dois volumes, rubricadas com iluminuras (primeiras letras desenhadas) feitas  à mão. Estima-se que foram produzidas cerca de 180 cópias mas era o início do sucesso que hoje a Bíblia representa com

cerca de 11 milhões de exemplares impressos por ano (dado desatualizado).

Lutero | Ano 1522 

A Bíblia produzida pelo pastor Martinho Lutero, como vocês sabem, acabou gerando a Igreja Luterana.

Ou seja, uma revisão da Bíblia podia significar uma ruptura definitiva com a Igreja Católica e um bom motivo para abertura de novas Igrejas.

Por ter sido feita direto do hebraico e do grego para a língua alemã, foram necessárias adequações para manter

o sentido original o que gerou controvérsias.

A tradução para o alemão abriu um precedente para que o Livro Sagrado fosse traduzido em

outras línguas modernas e se espalhasse pelo mundo. Até ali, era considerado pecado imprimir a Bíblia em outra língua que não o Latim. 

A Bíblia, depois disso, foi traduzida para o francês em 1528 e em inglês pelo protestante britânico William Tyndale em 1536, que acabou morto pela Inquisição por "ajustes" no texto bíblico: em espanhol em 1569.

Evangeho de Felipe | 1847 

Muito se fala sobre um manuscrito de nome "A História Eclesiástica de Zacharias Rhetor" que fazia parte do acervo do Museu Britânico desde 1847. Ao que tudo indica, o texto escrito em dialeto aramaico é do século VI e teria sido traduzido de um manuscrito grego muito mais antigo. Os escritos falam de um "casamento de Jesus com Maria Madalena ou Maria de Magdal" e são do Evangelho de Felipe,

um dos livros apócrifos (não publicados na Bíblia).

SUGESTÃO DE LEITURA E FILME

O Código da Vinci (de Dan Brown) e A Última Tentação de Cristo (de Nikos Kazantzakis).

Papiro em Copta | 2012

Um pedaço de papiro reacendeu, em 2012, o debate sobre a vida de Jesus.

Nele, está escrito:

 

“Jesus disse a eles, ‘Minha esposa (…)’.”

 

A novidade deste papiro é a palavra ‘esposa’ escrita em copta, um antigo idioma egípcio que usa caracteres gregos. A peça chegou às mãos da professora e historiadora Karen King, da Universidade americana de Harvard. Seria uma relíquia do século IV.

 

Especialistas dizem que não pode ser considerada uma prova definitiva já que, como vimos neste artigo, a história é contada e

recontada por muitas mãos e cabeças distintas.

Se o texto é de cerca de 150 anos após a morte de Jesus, muito sobre sua originalidade deve ser pesquisada.

Mas a respeito de uma coisa dita pelo professor André Chevitarese do Instituto de História da UFRJ sobre esta descoberta, todos concordam:

“O relato mais antigo a colocar as mulheres na centralidade do apostolado é o Evangelho de João em grego, mais antigo que o copta,

e base do usado até hoje pelos católicos. Nele, Maria Madalena é colocada em pé de igualdade com os apóstolos.

Ela é única pessoa a ver Jesus ressuscitado, que a incumbe de anunciar sua ressurreição. Esse evangelho abre brechas para

discutir questões de gênero dentro do cristianismo.

Ele foi escrito pela comunidade joanina, situada provavelmente no mediterrâneo oriental.

E mostra que, dentro dessa comunidade, as mulheres poderiam gozar de primazia."

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